NASA distribui novos contratos para ampliar transporte, tecnologia e ciência da futura base lunar

A NASA divulgou no sábado, durante o MAX POWER Aerospace Expo no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, uma série de contratos e atualizações de missão voltados a fortalecer a construção de uma base permanente no Polo Sul da Lua. As iniciativas abrangem entregas robóticas comerciais, desenvolvimento de um rover nuclear, serviços de lançamento e transferência orbital, além de infraestrutura de superfície.

Carga lunar: nova fase do CLPS

Para expandir a rede de pousadores de carga, oito empresas foram selecionadas para o CLPS 2 (Commercial Lunar Payload Services): Blue Origin, Firefly Aerospace, Intuitive Machines, iSpace US, Lockheed Martin Space, Northrop Grumman Space Systems, SpaceX e Voyager Technologies. O contrato-guarda-chuva, válido por 10 anos, é do tipo IDIQ (entregas e quantidades indefinidas) e pode chegar a US$ 10 bilhões. Paralelamente, o valor do CLPS 1 foi elevado de US$ 2,6 bilhões para US$ 4,2 bilhões; ele permanece ativo até novembro de 2028, com até cinco anos adicionais para concluir missões já contratadas.

Rover nuclear PROMISE

A agência confirmou o avanço do PROMISE (Polar Rover for Observation, Mapping, and In-Situ Exploration), veículo de seis rodas que investigará superfície e subsuperfície do Polo Sul lunar. Alimentado por energia nuclear, o robô suportará as longas noites lunares e regiões permanentemente sombreadas em busca de gelo.

O Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), na Califórnia, usará componentes sobressalentes dos rovers Curiosity e Perseverance para reduzir custos e acelerar a integração. O lançamento está previsto para o fim de 2028, com missão inicial de 18 meses.

A entrega do rover será feita pela Blue Origin, que recebeu contrato base de US$ 94 milhões — valor que pode subir mais US$ 140 milhões mediante desempenho. O pouso ocorrerá a bordo do lander Mark 1, já contratado em maio de 2026 para levar dois veículos de terreno lunar.

Rede de transporte Terra-Lua

Seis ordens de serviço foram emitidas dentro do contrato VADR (Venture-Class Acquisition of Dedicated and Rideshare) para demonstrar Veículos de Transferência Orbital (OTVs). Arrow Science and Technology, Blue Origin e Impulse Space integrarão e transportarão cargas da Moon Base, em operações avaliadas em cerca de US$ 1,3 bilhão. O acordo VADR possui teto de US$ 5 bilhões ao longo de 10 anos.

Os lançamentos usarão foguetes New Glenn (Blue Origin), Terran R (Relativity Space) e Falcon 9 (SpaceX). As naves de transporte em espaço profundo serão fornecidas por Blue Origin, Firefly Aerospace, Impulse Space e Quantum Space.

Em contrato separado, a SpaceX foi escolhida para a Cislunar Communications Deployment Demonstration. Um Starship lançará satélites de comunicação em 2028 para avaliar uma futura rede de telecom lunar.

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Imagem: NASA via nasa.gov

Infraestrutura de superfície

Para o sistema miniCAST (Mini-Communications and Solar Tower), a NASA comprará componentes comerciais: baterias da Honeybee Robotics (empresa da Blue Origin), painéis solares da Redwire e hardware de transmissão sem fio da Yank Technologies. A montagem ocorrerá no Centro Marshall, no Alabama, antes do envio à Lua.

A agência prepara ainda um chamado direcionado no programa NextSTEP-3 B para suprir lacunas de dados relacionadas à arquitetura da base, prevendo missões de pequena escala, cargas úteis futuras ou compra de dados de parceiros comerciais a partir de 2027.

Segundo o administrador da NASA, Jared Isaacman, cada missão “constrói” a base lunar gradualmente, adotando o modelo de voar, aprender e aplicar lições para ampliar capacidade. O gerente do programa Moon Base, Carlos García-Galán, destacou que os contratos aceleram o desenvolvimento ao consolidar esforços num plano sustentável de longo prazo.

Com essas iniciativas, a NASA reforça o caminho para enviar astronautas da missão Artemis a uma presença humana duradoura no Polo Sul da Lua, preparando terreno para voos tripulados a Marte.

Com informações de NASA