Portland (EUA), 17 de julho de 2026 – Imagens do programa Landsat, operado pela NASA e pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), estão ajudando geólogos a detalhar por que o litoral sul do Maine exibe extensos bancos de areia, enquanto a região Midcoast, logo a leste, apresenta recortes irregulares formados por penínsulas e ilhas de rocha.
Diferenças no solo e herança glacial
Segundo Peter Slovinsky e Nicholas Whiteman, ambos do Serviço Geológico do Maine, a transição começa no tipo de rocha que sustenta cada trecho de costa. Ao sul de Portland predominam depósitos arenosos trazidos por rios, sobretudo pelo Saco, que carrega sedimentos derivados do intemperismo das Montanhas Brancas. Ondas e marés remodelam esses materiais há milênios, gerando praias em arco, bancos submarinos e o maior marisma do estado em Saco Bay.
No sentido leste, granitos resistentes surgem esporadicamente entre as faixas de areia, mas o relevo passa a ser dominado por rochas metamórficas. Essas formações, comprimidas e aquecidas em eras remotas, foram alargadas por geleiras durante o último máximo glacial. Quando a camada de gelo Laurentina derreteu, o nível do mar subiu e inundou vales, originando costas recortadas como as de Casco Bay.
Ilhas estreitas e orientação marcada
As dobras geológicas antigas determinam o alinhamento preferencial da erosão. O resultado são longas ilhas paralelas e promontórios angulosos claramente visíveis nos mosaicos Landsat. Essa morfologia contrasta com a disposição dos acidentes costeiros mais ao nordeste do estado.
Impacto econômico
Enquanto veranistas se concentram nas praias de Saco e Kennebunkport, a pesca da lagosta prospera nos fiordes rasos e protegidos do Midcoast. Harpswell, por exemplo, lidera desembarques do crustáceo graças às águas frias e rochosas.
Imagem: the OLI via science.nasa.gov
A aquicultura de ostras também se beneficia da geografia singular. Pesquisadores da Universidade do Maine, como Tom Kiffney, utilizam modelos de orçamento energético e dados de satélites, incluindo Landsat, para prever taxas de crescimento do molusco e escolher locais ideais em Casco Bay e no estuário de Damariscotta. A combinação de diferentes temperaturas, salinidade e microclimas confere sabores variados – o chamado “merroir” – ao produto cultivado.
As observações espaciais, portanto, não apenas revelam a história glacial do Maine, como orientam atividades econômicas fundamentais para suas comunidades costeiras.
Com informações de NASA Science
