Dubai, 23 de outubro de 2025 – Imagens captadas pelo satélite Landsat 8 revelam, a cerca de uma hora de carro a leste dos arranha-céus de Dubai, uma paisagem dominada por antigas formações calcárias que narram milhões de anos de história geológica e centenas de milhares de anos de presença humana.
Registrada em 23 de outubro de 2025, a cena mostra uma série de cristas claras que atravessam o Emirado de Sharjah, na extremidade norte do deserto Rub al Khali, diante das montanhas Al-Hajar. A maior delas, Jabal al Fāyah, atinge 412 metros acima do nível do mar.
Origem marinha sob olhar orbital
Segundo geólogos, as cristas são constituídas de calcário marinho depositado do final do Cretáceo ao início-médio Paleoceno, indicando que a área ficou submersa durante parte desse intervalo. Fragmentos de corais e fósseis de invertebrados ainda são visíveis na rocha, enquanto o vizinho Fossil Rock, próximo ao monte Jabal Mulayḩah, concentra restos de caracóis, amêijoas e ouriços-do-mar.
Ao leste, o satélite registra canais dendríticos de leques aluviais que transportam cascalhos erodidos das montanhas Al-Hajar. As rochas escuras dessa região pertencem ao Ofiolito Samail, um dos maiores e mais bem preservados afloramentos de litosfera oceânica do planeta. Em vez de ser subduzida, essa porção do fundo do antigo mar de Tétis foi empurrada sobre a placa Arábica num processo de obdução.
Paisagem modelada pelo vento
Voltado para oeste, Jabal al Fāyah atua como barreira natural, retendo areia soprada pelo vento que forma extensos campos de dunas de tonalidade açafrão. O tom intenso resulta da meteorização de minerais ricos em ferro presentes nos grãos de areia.
Vestígios de Homo sapiens
Além da importância geológica, as cristas integram um patrimônio mundial da UNESCO desde 2025 por abrigarem dezenas de sítios arqueológicos. Ferramentas líticas – lâminas, raspadores e machados de mão – atestam ocupações humanas entre 210 000 e 120 000 anos atrás, no Paleolítico Médio, período em que Homo sapiens já deixava a África e dividia o planeta com neandertais.
Imagem: the OLI via science.nasa.gov
Evidências sedimentológicas indicam que lagos temporários se formavam periodicamente no lado leste das cristas, fornecendo água e alimento em um ambiente hoje árido. Salientes rochosas ao longo dos relevos teriam oferecido abrigo contra calor e ventos, favorecendo a permanência intermitente desses grupos humanos antigos.
As imagens analisadas foram produzidas pela NASA Earth Observatory, com dados do Landsat fornecidos pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Com informações de NASA Science
