Washington, — Cientistas financiados pela NASA identificaram um caminho diferente para a chegada de fósforo e nitrogênio — componentes básicos da vida — ao nosso planeta. A pesquisa, publicada hoje na revista Science Advances, refaz o mapa desses elementos no Sistema Solar primordial e aponta um papel decisivo de Júpiter na sua distribuição.
O trabalho analisou a razão entre fósforo e nitrogênio (P/N) em dois tipos de meteoritos: os ferrosos, derivados da primeira geração de planetesimais, e os condritos, oriundos de uma segunda geração formada de 2 a 3 milhões de anos depois. Esses fragmentos preservam registros da química que antecedeu a formação da Terra, há mais de 4,5 bilhões de anos.
Diferenças entre gerações de planetesimais
Experimentos de laboratório combinados a modelos geoquímicos mostraram que, na primeira geração, a razão P/N era maior nas regiões externas do Sistema Solar e diminuía em direção ao Sol. O cenário se inverteu na segunda geração: as áreas internas passaram a exibir proporções mais altas desses elementos.
Papel de Júpiter
Segundo a equipe, o crescimento de Júpiter interrompeu o fluxo de material rico em fósforo e nitrogênio do interior para o exterior do Sistema Solar. Essa barreira gravitacional deixou os planetesimais internos — ancestrais tanto dos meteoritos ferrosos quanto de parte dos condritos — com maior concentração de P/N.
“A presença e a história de crescimento de Júpiter parecem ter sido cruciais para definir a distribuição dos ingredientes químicos necessários a mundos habitáveis”, afirmou Rajdeep Dasgupta, da Universidade Rice, em Houston, autor sênior do estudo.
Imagem: a protoplanetary disk via science.nasa.gov
Implicações para a Terra
Modelos de acreção indicam que a assinatura atual de fósforo e nitrogênio da Terra é melhor explicada por material do Sistema Solar interno, sem necessidade de grande aporte de condritos vindos das regiões externas. “Os dados sugerem que nosso planeta recebeu a maior parte desses elementos de planetesimais internos”, acrescentou o autor principal, Debjeet Pathak, também da Universidade Rice.
As conclusões oferecem novas pistas sobre como a Terra reuniu os componentes essenciais para a formação das primeiras células, etapa fundamental para o surgimento da vida.
Com informações de NASA Science
