A NASA inicia em junho uma nova etapa de ensaios com o X-59, avião experimental concebido para voar acima da velocidade do som gerando apenas um leve “estalo” sonoro. Nesta fase, a aeronave deverá ultrapassar 630 mph (aprox. Mach 1) a 43 mil pés de altitude, marcando o primeiro voo supersônico do programa Quesst.
Objetivos do próximo bloco de testes
Segundo Cathy Bahm, gerente do projeto Low Boom Flight Demonstrator, a equipe parte agora para “o ponto de condição de missão” — regime para o qual o X-59 foi projetado. Depois do primeiro voo supersônico, o plano prevê atingir Mach 1,4 (925 mph) a 55 mil pés. Esses valores correspondem às metas de desempenho exigidas para, futuramente, sobrevoar comunidades norte-americanas e coletar dados sobre a percepção do ruído gerado.
A campanha também inclui:
- acompanhamento por um caça de perseguição supersônico, equipado com sonda de detecção de ondas de choque;
- voos até Mach 1,6 (1.218 mph) e 60 mil pés, limites de velocidade e altitude do X-59;
- missões subsônicas e em baixa altitude para comparar o comportamento da aeronave em diferentes regimes.
Resultados obtidos até agora
Desde o primeiro voo, realizado em outubro de 2025, o X-59 completou 15 missões de teste. Entre os marcos registrados estão:
- retração completa do trem de pouso (“gear swing”);
- voos a 43 mil pés e Mach 0,95 (627 mph);
- dias com dois voos sucessivos, prática que se tornou rotineira;
- ensaios em velocidades mais baixas para avaliar o desempenho em toda a faixa de operação.
Os dados coletados permitiram avaliar sistemas de combustível, hidráulica, controle ambiental e o eXternal Vision System, conjunto de câmeras que substitui o para-brisa convencional. Medidores de deformação instalados na estrutura registraram as cargas sofridas durante decolagem, cruzeiro e pouso.
Imagem: nasa.gov
Próximas etapas do programa Quesst
Todas as atividades atuais integram a Fase 1, dedicada a comprovar desempenho e aeronavegabilidade. Ainda este ano, começa a Fase 2, quando sensores externos irão verificar se o X-59 produz o “estalo” supersônico de baixa intensidade previsto pelo projeto.
“Cada expansão do envelope de voo nos aproxima da demonstração da capacidade supersônica silenciosa”, afirmou Bahm. A gerente ressaltou que a equipe já concentra esforços nos voos vindouros, considerados decisivos para o futuro do transporte supersônico comercial.
Com informações de NASA
