Washington, 2025 – Uma análise de quase 35 anos de imagens captadas pelos satélites Landsat indica que fenômenos naturais, como incêndios florestais e furacões, passaram a causar mais alterações no território continental dos Estados Unidos do que atividades humanas, como expansão agrícola e construção civil.
O trabalho, financiado pela NASA e publicado na revista Nature Geoscience, examinou registros obtidos entre 1988 e 2022 pelos satélites da série NASA/USGS Landsat. A equipe liderada por Zhe Zhu, ex-membro do time científico do programa, identificou duas tendências opostas: distúrbios provocados diretamente por pessoas diminuíram, enquanto eventos naturais se tornaram mais frequentes e intensos.
Dimensão das transformações
De acordo com os autores, 18% da área continental norte-americana sofreu pelo menos uma perturbação no período avaliado. Quando incluidas ocorrências repetidas, a área acumulada sobe para aproximadamente 700 mil milhas quadradas, o equivalente a quase um terço dos Estados Unidos.
As ações humanas responderam por pouco mais da metade dessas mudanças, afetando 446 mil milhas quadradas – área superior à soma dos estados do Texas e da Califórnia. Já eventos considerados “selvagens”, como incêndios, furacões e deslizamentos, transformaram mais de 165 mil milhas quadradas.
Queda nas ações humanas, alta nos eventos naturais
Segundo o estudo, as perturbações causadas por pessoas recuaram em média 232 milhas quadradas (cerca de 600 km²) por ano. Entre os fatores apontados estão mudanças de políticas públicas, avanços tecnológicos e o impacto da crise financeira de 2008 no setor da construção.
No sentido inverso, áreas afetadas por eventos naturais cresceram mais de 77 milhas quadradas (aproximadamente 200 km²) a cada ano. Incêndios, estresse hídrico relacionado à seca e ventos fortes ficaram mais comuns, fenômeno atribuído pelos autores ao aquecimento climático e a condições ambientais diversas.
Técnica de detecção aprimorada
Para diferenciar a origem de cada alteração detectada, os pesquisadores treinaram um algoritmo de aprendizado de máquina com quatro décadas de dados. O sistema foi calibrado após inspeção manual de 50 mil locais e alcançou acurácia superior a 75% na maioria das categorias de distúrbio.
Robert Emberson, gerente associado do programa de Desastres da NASA e não envolvido no estudo, destacou a utilidade dos resultados para o planejamento de resiliência. Como exemplo, ele citou regiões que, prevendo aumento de incêndios, podem adotar queimadas controladas, remover material inflamável nas proximidades de residências e erguer construções com materiais resistentes ao fogo.
Com informações de NASA Science
