Houston (EUA) – Durante os aproximadamente 10 dias da missão Artemis II, na qual quatro astronautas percorreram 694.481 milhas em torno da Lua e retornaram à Terra, o módulo Orion contou com um equipamento fundamental para a saúde física e mental da tripulação: o flywheel. O projeto do aparelho foi chefiado por Ryan Schulte, gerente de engenharia no Centro Espacial Johnson, em Houston.
Equipamento do tamanho de uma caixa de sapatos
Com dimensões semelhantes às de uma grande caixa de sapatos, o flywheel não consome energia elétrica do veículo e oferece treinos aeróbicos e resistivos. O sistema funciona como um “ioiô inercial”, segundo Schulte, permitindo que o usuário selecione diferentes relações de engrenagem para variação de carga, alcançando até 500 libras de resistência.
A versatilidade permite a execução de agachamentos, levantamento terra, remada curvada, puxada alta, rosca bíceps, elevação de panturrilhas e até remo aeróbico, tudo em um único dispositivo.
Desafios de projeto e testes em órbita
A equipe liderada por Schulte teve de enfrentar limitações de espaço interno, necessidade de mobilidade dos astronautas e controle de ruído para não prejudicar a comunicação a bordo. O resultado foi validado em voo: cada tripulante utilizou o aparelho por cerca de 30 minutos diários, minimizando a atrofia de ossos e músculos e contribuindo para o bem-estar psicológico em microgravidade.
“Sem a gravidade da Terra, músculos, ossos e resistência começam a enfraquecer”, explicou o engenheiro. A prática de exercícios também melhora a circulação de fluidos, reduzindo a sensação de cabeça congestionada relatada em gravidade zero.
Imagem: nasa.gov
Carreira dedicada à interface entre homem e máquina
Schulte iniciou a trajetória na NASA em 2007 como estagiário cooperativo. Depois, atuou como engenheiro de testes em sistemas pirotécnicos, de propulsão e energia, migrando posteriormente para a Diretoria de Saúde e Desempenho Humano e para o Programa de Pesquisa Humana. A experiência levou-o ao posto atual, no qual comanda a produção de uma frota de aparelhos de exercício reutilizáveis para as próximas missões Artemis.
O sucesso obtido na Artemis II reforça a importância do flywheel e de futuros equipamentos semelhantes para manter os astronautas aptos a longas estadias na órbita lunar e, futuramente, além dela.
Com informações de NASA
