Objeto identificado pelo Chandra revela pista para enigma dos “pontos vermelhos” no Universo primordial

Uma análise conjunta de dados do telescópio espacial James Webb e do Observatório de Raios X Chandra levou astrônomos a encontrar um raro ponto emissor de raios X que pode esclarecer a verdadeira natureza de centenas de “pequenos pontos vermelhos” observados a cerca de 12 bilhões de anos-luz da Terra.

O objeto, catalogado como 3DHST-AEGIS-12014 e situado a 11,8 bilhões de anos-luz, reúne quase todas as características desses pontos: é compacto, avermelhado e extremamente distante. A diferença é que ele emite raios X detectáveis pelo Chandra, sinal que faltava nos demais integrantes dessa classe enigmática.

Transição entre fases de crescimento

Desde o início das operações científicas do Webb, em 2022, os “pontos vermelhos” chamaram atenção por sugerirem a presença de buracos negros supermassivos imersos em nuvens densas de gás. Nessa condição, a radiação ultravioleta e os raios X normalmente associados a núcleos ativos ficam ofuscados, o que levou pesquisadores a apelidar o fenômeno de “estrelas de buraco negro”.

A equipe liderada por Raphael Hviding, do Instituto Max Planck de Astronomia (Alemanha), propõe que 3DHST-AEGIS-12014 representa uma fase de transição entre essa etapa obscurecida e um núcleo ativo convencional. Conforme o buraco negro consome o gás ao redor, formam-se brechas irregulares na nuvem, permitindo que parte da radiação de alta energia escape — exatamente o que o Chandra registrou.

Variações de brilho sugerem cobertura irregular

Os dados do Chandra apontam possíveis oscilações no fluxo de raios X, reforçando a hipótese de uma cobertura gasosa não uniforme. À medida que regiões mais ou menos densas giram em torno do buraco negro, o brilho varia, oferecendo um vislumbre do processo de limpeza do ambiente.

Possíveis explicações alternativas

Uma interpretação alternativa considera que o ponto seja um núcleo ativo típico envolto por um tipo incomum de poeira, capaz de alterar o espectro observado. Novas observações já programadas deverão ajudar a distinguir entre os dois cenários.

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Imagem: the Webb telescope had not been known to via science.nasa.gov

Importância da colaboração entre observatórios

O objeto analisado estava arquivado em levantamentos profundos do Chandra há mais de uma década. A comparação com imagens recentes do Webb permitiu identificar sua singularidade, evidenciando, segundo a equipe, o valor do trabalho conjunto entre grandes observatórios espaciais.

O programa do Chandra é gerenciado pelo Centro de Voo Espacial Marshall, da NASA, enquanto o Centro de Raios X Chandra, no Observatório Astrofísico Smithsonian, cuida das operações científicas em Cambridge (Massachusetts) e dos controles de voo em Burlington (Massachusetts).

Os resultados completos foram publicados em The Astrophysical Journal Letters.

Com informações de NASA Science