Pesquisadores utilizaram o Telescópio Espacial James Webb (JWST) para analisar 21 discos de detritos extremos — ambientes raros que indicam colisões violentas entre corpos rochosos em órbita de estrelas jovens. Os resultados foram publicados na quinta-feira (data original do artigo) no periódico The Astrophysical Journal.
O estudo, liderado por Kate Su, do Space Science Institute (Boulder, Colorado), reuniu cinco discos arquivados pelo extinto telescópio Spitzer e 16 observados pelo Webb, sendo 12 inéditos e quatro complementares aos dados anteriores. Esses sistemas concentram grandes quantidades de poeira quente próxima às estrelas, região equivalente à órbita dos planetas rochosos no Sistema Solar.
Três características em comum
As observações de meio-infravermelho confirmaram que todos os discos da amostra apresentam:
- grãos de poeira menores que os de discos protoplanetários ou de detritos clássicos;
- alta concentração de material aquecido;
- variações irregulares de brilho.
Composição aponta tipo de impacto
A equipe classificou os discos em dois grupos:
- Ricos em sílica (cerca de 1/3 da amostra) — resultado de colisões de alta energia entre corpos do tamanho de Marte, com vaporização de grande parte do material.
- Pobres em sílica (2/3) — gerados por impactos menores, semelhantes a encontros tangenciais entre objetos do tamanho da Lua.
Discos com sílica aparecem apenas em estrelas com menos de 300 milhões de anos, enquanto os pobres em sílica abrangem idades maiores e mostram maior variação de brilho, possivelmente causada pela rápida evolução dos fragmentos recém-gerados.
Raridade e implicações para a formação planetária
Discos de detritos extremos são detectados em apenas 1% das estrelas jovens conhecidas, o que sugere que fases tão turbulentas são breves. Os autores ressaltam que fenômenos semelhantes podem ter ocorrido mais de uma vez no próprio Sistema Solar, incluindo o impacto que formou a Lua há cerca de 100 milhões de anos após o nascimento do Sol.
Imagem: science.nasa.gov
“Agora temos dados suficientes para esclarecer como esses discos se encaixam na formação e evolução de planetas rochosos”, afirmou Su. A equipe planeja observar mais sistemas para confirmar se discos antigos realmente não contêm sílica, como indicam os três exemplos com essa idade na amostra.
O James Webb é uma colaboração da NASA com a ESA e a CSA e segue investigando a origem e a evolução de sistemas planetários dentro e fora do Sistema Solar.
Com informações de NASA Science
