O rover Curiosity, da NASA, registrou uma mudança inesperada na superfície rochosa de Marte durante os sóis 5016 a 5021 (data de planejamento na Terra: 18 de setembro de 2026). Nos últimos locais da chamada “unidade de sulfato”, as rochas vinham apresentando camadas finas bem definidas. Porém, a equipe passou a observar blocos cobertos — e possivelmente preenchidos — por pequenos ressaltos arredondados em formato de disco.
Formações semelhantes foram vistas anteriormente perto de Pahrump Hills, nos antigos folhelhos Murray, e também ocorrem em ambientes terrestres onde minerais precipitam a partir da evaporação de fluidos. Segundo os cientistas, os discos podem indicar o crescimento de um mineral específico ou fragmentos de um estrato mais resistente que se quebrou e se acumulou na área.
Para detalhar essa textura, a programação incluiu imagens de Mastcam e MAHLI nos alvos “Yungay” e “Chiu Chiu”. A composição química será avaliada com o espectrômetro de laser ChemCam nos pontos “Puya Raimondii”, “Liolaemus Tacnae” e “Pisqu Warkatana”, além de medições do APXS em “Salar de Vacas”.
Projetos de imagem de longa distância continuam em curso com o RMI da ChemCam e mosaicos da Mastcam, focados nos “buttes” que margeiam o Valle Grande. Esses registros proporcionam vista lateral dos estratos acima do rover, auxiliando no mapeamento das estruturas sedimentares e na compreensão dos processos de erosão que formaram a região.
A identificação precisa dos minerais depende do difratômetro de raios X CheMin, o que exige uma nova campanha de perfuração. Desde o último furo, em Campo Marte, o veículo percorreu mais de um quilômetro; a próxima perfuração será a primeira acima da chamada “supersuperfície erosional”.
Imagem: the brushing from the rover via science.nasa.gov
Na quarta-feira, o deslocamento aproximou o robô de um ponto promissor, registrado pela Mastcam como “Torres del Paine”. O planejamento de sexta-feira definiu caracterizações adicionais com os instrumentos de braço em “Alberta Wild Rose” e “Moonraker Mountain”, leituras ChemCam em “Osoyoos” e imagens Mastcam de “Trincomali Channel” e “Yellow Lady’s Slipper”. A equipe escolheu um alvo específico para perfuração e programou uma curta manobra para posicioná-lo ao alcance do braço, etapa necessária para o contato científico, teste de pré-carga e, se aprovado, início da perfuração.
Lucy Lim, cientista planetária do Goddard Space Flight Center, reassumirá a liderança das atividades de Geologia e Mineralogia na segunda-feira, quando começa o primeiro dia da sequência de perfuração (Triage Contact Science).
Com informações de NASA Science
