Pasadena, EUA – O nome do telescópio espacial mais famoso do mundo homenageia Edwin Hubble, astrônomo cujo centenário de nascimento foi lembrado em 1989 com a publicação de um amplo balanço de suas descobertas. Entre 1920 e 1936, o pesquisador da Carnegie Institution utilizou os maiores telescópios terrestres da época, no Observatório de Mount Wilson, para estabelecer pilares que sustentam a exploração espacial observacional desta e das próximas gerações.
Classificação de galáxias se tornou padrão
De 1922 a 1926, Hubble criou um sistema morfológico capaz de organizar galáxias em sequência contínua. A categorização, conhecida mundialmente como “sequência de Hubble”, passou a guiar missões espaciais de mapeamento galáctico e inspirou o famoso diagrama em forma de diapasão, posteriormente adotado em estudos conduzidos pelo Telescópio Espacial Hubble.
Cepheidas confirmam galáxias como “universos-ilha”
Ao identificar estrelas variáveis do tipo Cepheidas em NGC 6822, M 33 e M 31, artigos publicados entre 1925 e 1929 encerraram o debate sobre a natureza das “nébulas espirais”. As medições de distância demonstraram que essas estruturas estão além da Via Láctea, definindo o palco para programas espaciais focados no universo extragaláctico.
Distribuição homogênea marcou novo passo para missões de observação
Entre 1926 e 1936, Hubble comprovou que as galáxias distribuem-se de forma homogênea, usando contagens até o limite de magnitude alcançável pelo refletor Hooker de 100 polegadas. O resultado, expresso pela relação log N(m) ≈ 0,6 m, mostrou que os objetos sinalizam a própria estrutura do cosmos e sustentou planejamentos futuros de observatórios espaciais dedicados a grandes levantamentos celestes.
Relação velocidade-distância inaugura conceito de universo em expansão
Em 1929, o artigo que relaciona deslocamento para o vermelho e distância introduziu a lei hoje conhecida como constante de Hubble. Trabalhos subsequentes com Milton Humason estenderam a medição até 60 000 km/s, base fundamental para modelos cosmológicos testados por missões como o Telescópio Espacial Hubble e o observatório James Webb.
Legado direto no espaço: Telescópio Espacial Hubble
O acúmulo dessas quatro conquistas levou a NASA a batizar seu grande observatório orbital, lançado em 1990, com o nome do astrônomo. A plataforma continua a refinar valores da constante de Hubble, a catalogar galáxias segundo a sequência criada por seu patrono e a expandir as fronteiras da exploração espacial ao observar profundidades cósmicas impossíveis da superfície terrestre.
O panorama publicado em 1989 lista ainda contribuições adicionais, como a distinção entre nebulosas de emissão e de reflexão, o primeiro perfil preciso de brilho superficial de galáxias elípticas e a descoberta de aglomerados globulares em Andrômeda. Todas influenciam direta ou indiretamente missões científicas em órbita, demonstrando como as observações de solo pavimentaram o caminho para plataformas espaciais.
Com isso, o nome Edwin Hubble permanece integrado a programas de vanguarda que utilizam foguetes, sondas e telescópios orbitais para investigar a origem, a estrutura e a evolução do universo.
Com informações de NASA Science
