Washington, 22 de julho de 2026 – Modelos atmosféricos alimentados por dados de satélites revelaram a trajetória de densas nuvens de fumaça lançadas por incêndios no Canadá entre 14 e 20 de julho, período em que a atividade de fogo se intensificou no país.
As informações foram geradas pela versão mais recente do modelo GEOS (Goddard Earth Observing System). O sistema combina observações de satélite, medições aéreas e dados meteorológicos terrestres — como temperatura, umidade e ventos — para projetar o movimento das plumas.
Fumaça atravessa fronteiras
No dia 14, o modelo já indicava mais de 180 focos em Ontário e diversos incêndios no norte de Minnesota. Ventos levaram o material particulado rumo ao sudeste, reduzindo a qualidade do ar desde o sul de Ontário, no Canadá, até o Meio-Oeste Superior e o Nordeste dos Estados Unidos.
Em 15 de julho, a névoa amarelada — composta por carbono marrom, aerossol orgânico responsável pelo tom amarelado ou acastanhado da fumaça — ampliou o impacto sobre cidades como Detroit, onde o índice permaneceu em nível “perigoso” por vários dias consecutivos. Toronto, Chicago, Nova York e Washington também registraram condições entre “não saudáveis” e “perigosas”.
Alívio parcial e novos focos
Tempestades no Leste atenuaram o problema em 19 e 20 de julho, melhorando os índices para “bom” ou “moderado” em parte da região dos Grandes Lagos. No mesmo intervalo, novos incêndios no Noroeste do Pacífico passaram a deteriorar a qualidade do ar local.
Imagem: science.nasa.gov
Separação de fontes de carbono
Desde fevereiro de 2026, o GEOS consegue diferenciar o carbono orgânico proveniente de biomassa — como queimadas — do gerado por atividades humanas, recurso que ajuda a isolar a contribuição específica dos incêndios. O modelo também acompanha o carbono preto (fuligem), mas esse componente mistura emissões de veículos e processos industriais, tornando o rastreamento exclusivo de incêndios menos preciso.
As animações produzidas pela NASA ilustram a evolução da pluma de carbono marrom e destacam a importância de satélites e modelos computacionais na avaliação de riscos à saúde respiratória e cardiovascular associados ao material particulado fino (PM2,5).
Com informações de NASA Science
