A NASA confirmou a presença do primeiro buraco negro de massa estelar já encontrado no aglomerado globular Omega Centauri. A detecção, resultado da análise de mais de 20 anos de dados do Telescópio Espacial Hubble reforçada por observações recentes do Telescópio Espacial James Webb, foi publicada na última segunda-feira (data do artigo) na revista The Astrophysical Journal Letters.
Quem, o que, quando, onde
• Quem: Equipe liderada por Matthew Whitaker, da Universidade de Utah, com participação de Anil Seth e colaboradores.
• O que: Descoberta do buraco negro estelar oMEGACat BH-2.
• Quando: Resultado apresentado em artigo divulgado na segunda-feira.
• Onde: Aglomerado globular Omega Centauri, a aproximadamente 18 000 anos-luz da Terra.
Como foi feita a descoberta
Os pesquisadores empregaram a técnica de astrometria para medir deslocamentos ínfimos de uma estrela companheira ao longo de mais de duas décadas. A combinação de registros do Hubble (2002-2023) e dados de infravermelho próximo do Webb permitiu rastrear a órbita da estrela em torno de um objeto invisível cuja massa só pode ser explicada por um buraco negro.
Principais características do sistema
• Massa do buraco negro: 4,46 massas solares.
• Massa da estrela visível: 0,78 massa solar.
• Período orbital: 94 anos – o mais longo já registrado para um binário contendo buraco negro.
• Ambiente: região densa e pobre em metais de Omega Centauri, que abriga cerca de 10 milhões de estrelas.
Implicações científicas
Modelos indicam que o aglomerado deveria conter cerca de 10 000 buracos negros de massa estelar, mas esta população permanecia indetectável. A identificação de oMEGACat BH-2 ajuda a refinar teorias sobre formação de buracos negros em ambientes de baixa metalicidade e sobre a dinâmica de binários que podem originar eventos de ondas gravitacionais.
Imagem: science.nasa.gov
Próximos passos
A equipe pretende estender a busca por sistemas semelhantes em Omega Centauri e em outros aglomerados utilizando Hubble, Webb e, futuramente, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, que oferecerá campo de visão maior e cadência regular de observações.
O Telescópio Espacial Hubble, fruto de cooperação entre NASA e ESA, opera há mais de 30 anos. As operações científicas são coordenadas pelo Space Telescope Science Institute, em Baltimore, enquanto o Goddard Space Flight Center gerencia a missão.
Com informações de NASA Science
