Uma extensa muralha de poeira levantada pelo vento Harmattan foi monitorada por diferentes satélites no início da primavera de 2026, enquanto cruzava o noroeste da África em direção ao oceano Atlântico.
Em 30 de março, o sensor MODIS a bordo do satélite Terra, da NASA, capturou a tempestade às 10h00 UTC (11h00 no horário local do Marrocos). Quatro horas depois, o instrumento VIIRS do satélite NOAA-21 registrou nova imagem, revelando a rápida progressão da nuvem de poeira rumo ao sudoeste.
O satélite geoestacionário Meteosat-12, operado pela EUMETSAT, também forneceu uma sequência contínua que mostrou a coluna de partículas aproximando-se das Ilhas Canárias.
Segundo a agência meteorológica espanhola AEMET, os ventos do Harmattan sopram do nordeste entre novembro e abril e costumam erguer poeira do deserto do Saara. Naquele dia 30, a passagem de uma frente fria fortaleceu os ventos próximos ao solo, gerando um surge — quando as rajadas convergem perpendicularmente à cordilheira do Alto Atlas antes de mudar para sudoeste.
As previsões indicaram que a poeira alcançaria todo o arquipélago canário, fenômeno conhecido localmente como calima, com degradação da qualidade do ar e da visibilidade até 1º de abril. No início do mesmo mês, outro episódio já havia transportado poeira do Saara tanto para as Canárias quanto para diversas regiões da Europa.
Imagem: science.nasa.gov
Estudos baseados em dados da NASA apontam que as tempestades de poeira mais intensas do Saara costumam ocorrer na primavera, quando os ventos erguem material dos ergs do centro-norte africano e da faixa mediterrânea. Um segundo pico acontece nos meses mais quentes, concentrado no Saara central.
Com informações de NASA Science
