Cabo Canaveral, 9 abr. 2026 – Novas imagens do programa Earth Observatory, da NASA, voltaram a destacar a Estrutura Richat, conhecida como “Olho do Saara”, um domo geológico de aproximadamente 40 quilômetros de diâmetro situado no planalto Adrar, no norte da Mauritânia.
Registradas a partir de dados do satélite Landsat, operado em parceria com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, as fotografias realçam anéis concêntricos em tons de laranja e cinza formados pela erosão diferencial de rochas sedimentares e ígneas. A equipe da NASA atribui a coloração à variação de materiais expostos nas cristas circulares chamadas cuestas.
Descoberta impulsionada pela missão Gemini IV
Geógrafos franceses descreveram o recurso geológico na década de 1930 e batizaram a área de “caseado Richat”. Porém, a atenção mundial cresceu em junho de 1965, quando os astronautas Ed White e James McDivitt, a bordo da missão Gemini IV, registraram a formação durante o primeiro voo espacial norte-americano de mais de quatro dias.
Origem redefinida por levantamentos científicos
Inicialmente classificada como possível cratera de impacto, a Estrutura Richat foi posteriormente caracterizada como domo profundamente erodido resultante do soerguimento de rochas provocado por intrusão magmática subterrânea. Pesquisas recentes — entre elas estudos publicados em 2021 e 2024 — detalham a história complexa do maciço alcalino datado do período Cretáceo.
Além da formação, o entorno apresenta dunas modeladas pelo vento e antigos leitos fluviais esculpidos por correntes que cruzavam o Saara, conferindo ao local relevância científica e histórica. Ferramentas paleolíticas, pinturas rupestres e ruínas de assentamentos medievais reforçam a importância arqueológica da região.
Imagem: the OLI via science.nasa.gov
Mesmo com nove décadas de investigação, a “Eye of the Sahara” segue sendo um dos alvos mais fotogênicos para tripulações em órbita e sensores de observação terrestre, comprovando o papel dos voos espaciais e da tecnologia de satélites no mapeamento de formações geológicas únicas.
Com informações de NASA Science
