Satélites da NASA rastreiam surto de poeira do Saara que alcança a Europa

Washington, 11 de março de 2026 – Modelos e imagens de satélites da NASA registraram um amplo transporte de poeira do Deserto do Saara para a Europa entre 1.º e 9 de março, período em que tempestades de inverno levaram partículas até o Mediterrâneo e vários países do continente.

Dados do Goddard Earth Observing System (GEOS) – que integra medições orbitais a equações atmosféricas – mostraram plumas originadas no noroeste da África avançando para o Atlântico e seguindo em direção norte, atingindo Espanha, França, Reino Unido, Suíça e Itália. Em localidades como o sul da Inglaterra, moradores relataram céus enevoados e crepúsculos com coloração incomum; nos Alpes, uma fina camada de poeira chegou a cobrir o Matterhorn.

Parte do material particulado desceu com a chuva quando o sistema de baixa pressão nomeado Tempestade Regina, pela agência meteorológica de Portugal, atravessou a Península Ibérica. O fenômeno, conhecido como “chuva de sangue”, depositou resíduos amarronzados no sul e leste da Espanha, além de áreas do sul da França e do Reino Unido.

No Mediterrâneo, observou-se a formação de nuvens cirrus carregadas de poeira em altitudes elevadas. Segundo o serviço meteorológico da Suíça (MeteoSwiss), esse tipo de nuvem surge quando partículas servem de núcleos de condensação de cristais de gelo. Pesquisadores analisam essas estruturas para entender impactos no tempo, no clima e na geração de energia solar.

Um estudo recente combinou a reanálise MERRA-2 da NASA, observações do espectrorradiômetro MODIS e outros produtos orbitais para avaliar os efeitos do pó saariano sobre usinas fotovoltaicas na Hungria. A performance caiu para 46% em dias de alta concentração de poeira, ante 75% ou mais em dias limpos. Os autores identificaram que o aumento da refletância de nuvens cirrus foi o principal fator de perda de radiação sobre os painéis.

Satélites da NASA rastreiam surto de poeira do Saara que alcança a Europa - Imagem do artigo original

Imagem: science.nasa.gov

Trabalhos científicos apontam maior frequência e intensidade de eventos de poeira no inverno europeu nos últimos anos. Entre as possíveis causas estão condições mais secas no noroeste africano e padrões atmosféricos que direcionam ventos do Saara para o norte.

Com informações de NASA Science