Satélite NISAR registra vasta área de deslizamentos no Glaciar Hubbard após terremoto de magnitude 7,0

O satélite NISAR (NASA-ISRO Synthetic Aperture Radar) obteve as primeiras imagens detalhadas da superfície do Glaciar Hubbard, no Alasca, dois dias depois de um terremoto de magnitude 7,0 atingir a cadeia montanhosa St. Elias em 6 de dezembro de 2025.

Segundo o Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, o forte tremor sacudiu a fronteira Yukon-Alasca, desencadeando avalanches e deslizamentos que espalharam rocha, neve e gelo sobre extensas áreas do glaciar. As mudanças foram captadas pelo radar do NISAR em 8 de dezembro, permitindo comparar a cena com imagens obtidas em 26 de novembro, antes do evento sísmico.

Imagens destacam áreas rugosas

Nas composições de radar, as zonas onde o material caiu ficaram mais rugosas, refletindo maior energia de volta ao sensor e aparecendo brilhantes (marcadas em verde escuro). Superfícies lisas, por outro lado, permanecem escuras (em roxo). O maior escorregamento parte do flanco do Monte King George, mas diversos outros pontos ao redor, inclusive nos declives do Monte Logan — o mais alto do Canadá — exibem cicatrizes semelhantes.

Mais de 700 eventos mapeados

Análise preliminar do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) identificou mais de 700 potenciais deslizamentos e avalanches, com alta concentração a noroeste do epicentro. Sobrevoos do Yukon Geological Survey em 12 de dezembro confirmaram encostas ainda instáveis e danos generalizados no gelo glacial.

Transporte de detritos “em esteira”

Grande parte do entulho depositado no glaciar deve ser levado em direção ao oceano pelo fluxo natural do gelo. Um glaciar tributário ao norte do Monte King George, que já se movia lentamente, entrou em fase de surto em novembro e agora avança em velocidade de até 6.000 metros por ano (aproximadamente 50 pés por dia), informou o glaciologista Alex Gardner, do JPL.

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Imagem: science.nasa.gov

Embora a área seja desabitada, o USGS alertou para riscos a montanhistas e expedições. A cidade de Yakutat, localizada 90 quilômetros ao sul do epicentro, costuma servir de base para quem explora a região.

As observações do NISAR deverão continuar a apoiar ações de resposta a desastres naturais em futuras ocorrências.

Com informações de NASA Science