Satélites da NASA orientam retorno de 158 tartarugas gigantes à Ilha Floreana

Ilha Floreana, Galápagos – Pela primeira vez em mais de 150 anos, 158 tartarugas gigantes voltaram à natureza na Ilha Floreana, guiadas por dados de satélites da NASA que indicam áreas com alimento, água e locais adequados para nidificação.

A soltura ocorreu em 20 de fevereiro e integra um esforço conjunto da Direção do Parque Nacional de Galápagos e da Galápagos Conservancy para restaurar a população de tartarugas em um dos arquipélagos mais singulares do planeta.

Uso de observações espaciais

Satélites como Landsat, Sentinel, Terra e a missão Global Precipitation Measurement fornecem informações sobre vegetação, umidade e temperatura. Esses dados alimentam uma ferramenta de decisão desenvolvida por pesquisadores liderados por Giorgos Mountrakis e James Gibbs, combinando milhões de registros de campo com condições ambientais para definir os melhores pontos e épocas de reintrodução.

“Estamos ajudando os parceiros a responder a uma pergunta prática: onde esses animais terão mais chance de sobreviver, não só hoje, mas nas próximas décadas?”, afirmou Keith Gaddis, gerente do programa Biological Diversity and Ecological Forecasting da NASA.

Histórico e reprodução

As tartarugas desapareceram de Floreana em meados do século XIX, após caça intensa por baleeiros e a chegada de predadores como porcos e ratos. Em 2000, pesquisadores encontraram tartarugas incomuns no vulcão Wolf, na Ilha Isabela. Análises de DNA confirmaram ascendência de Floreana, permitindo iniciar um programa de reprodução que já produziu centenas de filhotes destinados à ilha.

Ao longo de 60 anos, o Parque Nacional de Galápagos já repovoou o arquipélago com mais de 10 mil tartarugas, mas cada ilha exige planejamento específico. “Colocar os animais onde as condições já são ideais aumenta muito as chances de sucesso”, explicou Gibbs, vice-presidente de Ciência e Conservação da Galápagos Conservancy.

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Imagem: science.nasa.gov

Ferramenta preditiva

A nova ferramenta também projeta como o habitat pode mudar nas próximas décadas — fator crucial, pois as tartarugas podem viver mais de um século. “Não é um projeto de um ano; estamos olhando para 20 ou 40 anos à frente”, ressaltou Mountrakis.

Restauro ecológico amplo

O retorno das tartarugas faz parte do Projeto de Restauração Ecológica de Floreana, que inclui a remoção de espécies invasoras e a reintrodução de 12 espécies nativas. Segundo Christian Sevilla, diretor de Ecossistemas do Parque Nacional, “as modelagens de habitat nos permitem trocar a intuição pela precisão”.

Com a ajuda da NASA, as entidades de conservação planejam aplicar a mesma metodologia em outras ilhas do arquipélago, reforçando a meta de reconstruir os ecossistemas originais das Galápagos.

Com informações de NASA Science