Hubble registra show de luz em torno de estrela em rápida agonia na Nebulosa do Ovo

Washington, EUA – O Telescópio Espacial Hubble capturou uma nova e detalhada imagem da Nebulosa do Ovo, situada a aproximadamente 1.000 anos-luz da Terra, na constelação de Cygnus. O registro revela claros jogos de luz e sombra gerados por poeira estelar recém-ejetada de uma estrela que se encontra nos estágios finais de vida.

Considerada o primeiro, mais jovem e mais próximo exemplo conhecido de pré-nebulosa planetária, a Nebulosa do Ovo apresenta uma estrela central escondida por um denso casulo de poeira – lembrando a gema envolta por uma clara opaca. Somente a resolução do Hubble permite observar os detalhes do processo que esculpe essa estrutura incomum.

Reflexos de uma estrela moribunda

Nesta fase inicial, a nebulosa brilha ao refletir a luz que escapa por um “olho” polar aberto no disco de poeira expelido há apenas algumas centenas de anos. Dois feixes provenientes da estrela iluminam lóbulos polares que avançam rapidamente, atravessando arcos concêntricos mais lentos e antigos. A forma e o movimento dessas estruturas sugerem interações gravitacionais com possíveis estrelas companheiras ocultas no interior do disco espesso.

Estrelas semelhantes ao Sol perdem suas camadas externas quando consomem o hidrogênio e o hélio. O núcleo exposto atinge temperaturas tão altas que ioniza o gás ao redor, criando as conchas brilhantes vistas em nebulosas planetárias. Na Nebulosa do Ovo, esse estágio ainda não foi alcançado: o objeto vive uma fase transitória que dura poucos milhares de anos, oferecendo oportunidade única para estudar a ejeção de matéria antes que as evidências se dissipem.

Padrões simétricos e “eventos de espirro” estelar

As formas captadas pelo Hubble são regulares demais para resultar de explosão violenta como uma supernova. Arcos, lóbulos e a nuvem central de poeira parecem originar-se de uma série coordenada de eventos intermitentes no interior rico em carbono da estrela agonizante. Estrelas desse tipo forjam e liberam poeira que, mais tarde, semeia sistemas estelares futuros, inclusive aqueles que deram origem à Terra há 4,5 bilhões de anos.

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Imagem: science.nasa.gov

Três décadas de observações

O Hubble já observou a Nebulosa do Ovo em diferentes momentos: imagem em luz visível pela câmera WFPC2, em 1997; registro em infravermelho próximo pela NICMOS, no mesmo ano; novo retrato pela ACS, em 2003; e aproximação pela WFC3, em 2012. O quadro atual combina os dados de 2012 com observações adicionais, produzindo o panorama mais nítido até agora.

Operando há mais de 30 anos, o Hubble é fruto da cooperação entre a NASA e a ESA. O Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbelt (Maryland), gerencia o telescópio e as operações de missão, com apoio da Lockheed Martin Space, em Denver. O Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI), em Baltimore, conduz as operações científicas para a NASA.

Com informações de NASA Science